Quando o vi ao longe ele olhou para mim como se pressentisse que eu estava ali. Os nossos olhares cruzaram-se com a intensidade da primeira vez. Deu uns passos na minha direcção, olhou para o chão que estava cheio de vidas, com pegadas e o rasto de todas as pessoas que passam ali dia após dia, e de seguida olhou de novo na minha direcção. Sorriu e aproximou-se. Eu abracei-o como se estivesse habituada a fazê-lo diariamente. As palavras estavam escassas, a alegria tomou conta de nós e isso era visível nos nossos rostos, com sorrisos que transmitíamos um ao outro.
E eu fiquei ali perdida de alegria, alívio e vergonha no fundo dos braços dele, com a palavra «obrigada» tremendo-me na garganta. E não a disse. Deixei-me encantar pela paisagem despida mas com tanto de Vida.
(...)
Se ao menos eu tivesse escrito cada um dos nossos dias, aquele momento, anotado a sequência das nossas conversas, agarrada ao Tempo que nos foi roubado. Uma narrativa, uma ilusão de ordem que estancasse a fluidez insignificante da vida.
És-me Tanto
~ . Sonho (L'
'Longe do Mundo' , Sara Tavares

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